Sábado, 14 de Abril, 2018

 

Temer quer acabar com o SUS

 

Um dia de trabalho comum, uma manhã de segunda-feira de Sol, prometendo fazer muito calor em São Paulo. O mesmo trânsito, o mesmo volume de automóveis, as mesmas rádios com os mesmos comentários políticos de todos os dias. Ao entrar na Marginal do rio Tiête, vindo pela rodovia Dutra, logo à frente existe uma alça de acesso para a avenida Cruzeiro do Sul.

De cima dessa alça de acesso é possível ver o heróico rio Tietê, podre, escuro, correndo lentamente com uma cauda espessa e grossa de pura poluição, apesar de Geraldo Alckmin e José Serra terem recebidos bilhões de dolares do Japão via Banco Mundial para despoluir esse sofrido rio. Eles prometeram entregar o rio limpo a ponto de nadar, a ponto de colocar embarcações para o transporte público como é em Amsterdã.

Nada, absolutamente nada.

Ambos fizeram uma estação de tratamento aqui, outra acolá, mas os bilhões de dólares se foram junto com a poluição do rio Tietê, o mais importante do Estado de São Paulo. Mas o rio não é o único herói a resistir. Ao olhar a triste cena do rio, com céu azul e forte Sol, nos deparamos com um movimento estranho na porta do esgoto de uma tubulação que leva ao rio.

Que movimento é aquele? Vamos confessar que quem vos escreve já não anda assim tão bom da vista e um óculos é necessário para ver detalhes. Apesar disso, a cena era preferível não ter sido vista. Não era um animal se banhando no esgoto puro saindo pela tubulação. Era um ser humano!

Não um, mas um casal. Sim, um casal estava se banhando no esgoto do rio Tietê, com sabonete, lavando suas roupas, tentando se higienizar, provando que não eram pessoas acostumadas ao desleixo de moradia de rua, mas pessoas que um dia tiveram algum tipo de educação quanto a higiene pessoal e sua importância.

Olhando mais a frente foi possível ver um carrinho de supermercado, com todos os pertences do casal, como roupas, umas poucas panelas, alguns outros apetrechos. Um casal novo, por volta de 30 a 40 anos de idade, que estavam andando pela rua, sem rumo, sem emprego, sem dinheiro.

Logo a frente, assim que acaba a alça, é só olhar para sua esquerda. É possível visualizar não uma família, mas cerca de 20 famílias com barracas, fogareiros, redes, colchões e também gente tentando lavar roupa, como se fosse uma vila, um bairro da grande cidade. O problema não são eles. O problema não é a presença dessas pessoas, mas a indiferença dos governos a esse tipo de situação.

Não foi uma, mas dezenas de vezes que esse que vos escreve presenciou a lavagem das calçadas com jatos d'água da gestão do ex-prefeito Dória em cima das cabanas desses pobres seres humanos. Claro que vão alegar que são vagabundos, drogados, viciados e bandidos. É muito mais fácil a retórica do que reconhecer que nossa sociedade é podre, covarde e vadia ao não cobrar do Estado dignidade para todos os cidadãos e não apenas para quem tem dinheiro.

O que acontece quando a grade de vôo do aeroporto de Congonhas começa a atrasar? As pessoas, aí sim chamdas de cidadãos, ligam para as redes de televisões, fazem debates acalorados, vão entrevistar governador, prefeito e ficam dois dias debatendo os prejuízos financeiros.

Mas e para esses pobres abandonados?

A imprensa só dá valor quando algum assalto, morte, arrastão ou algo do genêro ocorre perto da região onde essas pessoas tentam viver. E o que faz o governador, o presidente? Aos domingos vão à missa com suas famílias para receber cumprimentos, comungar, rezar de olhos fechados e fingirem arrependimentos pelos "seus pecados".

Ora, que os religiosos me perdoem, os quais tenho muito respeito por sua fé, mas esses "pecados" podem ser resolvidos aqui na Terra mesmo, não precisa da ajuda de Deus. Existem canetas e dinheiro, muito dinheiro para ajudar a restaurar a vida dessas pessoas abandonadas e ainda assim serem culpadas de vagabundas.

E como a maldade não tem mais fim no Brasil, a notícia da semana é que Michel Temer e sua quadrilha (o MPF chamou em documento na PGR o presidente da República de chefe de quadrilha e seus amigos de integrantes dessa quadrilha) agora, juntos com os planos de saúde querem acabar com o SUS.

Claro que não usam esses termos, mas dizem que vão modificar, para atender apenas quem realmente necessita e a metade da verba atual vai para os planos de saúde. Essa verba extra que eles irão receber é para atender doenças mais caras e tratá-las com mais modernidade.

Ora, ora, ora, .... planos de saúde, contem outra história. Os planos sempre ganharam muito e ganharam tanto a ponto de patrocinar no passado times de volei, times de futebol, ajudar a organizar campeonatos mundiais de surf, futebol de salão entre inúmeros outros esportes.

A notícia está em diversos sites como esse do site da APCEF (Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal) .

Mas também aparece no jornal "Carta de Campinas", na realidade o mesmo texto com poucas modificações.

A notícia dá conta de um fórum de saúde que ocorreu no dia 10/abril/2018, terça-feira passada em Brasília. Representantes de Michel Temer ligados ao Ministério da Saúde e representantes dos planos de saúde debateram e propuseram a ideia de construir um "Novo Sistema Nacional de Saúde". Mas a maior peróla é que o deputado de Santa Catarina, Espiridião Amim do PP teria afirmado:

"O SUS é um projeto comunista cristão" (sic)

Realmente, decididamente, retornamos aos anos de 1950. Somos agora "nós contra os russos". Não podemos deixar que a "revolução russa chegue ao Brasil". A cor "vermelha é perigosa" e "russos sequestram criancinhas"!

Ora deputado, com todo respeito, vai se aposentar. Sua era já passou.

O Brasil de Temer abriu espaço para isso, para essas asneiras de políticos antigos com retóricas ultrapassadas como essa ou mesmo as racistas da família Bolsonaro, ou xenofóbicas de diversos outros políticos. Essa gente sem miolo, sem estudo, está ganhando espaço e perigosamente ao subir no poder vão jogar a culpa da pobreza nos pobres, claro, ricos não tem culpa de nada.

Dizer que SUS é projeto comunista? Se realmente for, então pelo menos em algo o comunismo quase acertou. Por que mesmo isso, esse projeto que era para "todos", não atende satistfatóriamente a todos, e ainda assim os planos de saúde querem todo esse público pra eles!

O que os planos de saúde querem argumentar é que precisam de recursos para atender casos mais graves, como os de câncer, por exemplo.

Mentira!

O Blog SaúdeBusiness na coluna de Enio Salu mostrou os ganhos dos planos de saúde no Brasil.

Vamos reproduzir e resumir os estudos com gráficos ao lado. Os planos podem tentar induzir a nós, cidadãos, usando a imprensa e principalmente a Rede Globo, sobretudo o JN de Wilian Bonner, que isso é para o bem do Brasil.

Poderão tentar nos induzir que eles (planos) estão com dificuldade para cumprir a lei de cuidar de doentes com câncer ou doenças raras pois não tem dinheiro.

Mentira!

Observando ao lado o primeiro gráfico, com dados da ANS e compilação do site SaúdeBusiness, é perfeitamente visível que o lucro nos últimos anos está na casa dos 20 bilhões de reais, por ano!

Sim, se subtrairmos o quanto os planos ganham e quanto eles pagam com os tratamentos de todas as doenças, mesmo as mais caras, seu lucro ainda é de 20 bilhões de reais.

Eles podem afirmar em reportagens que, por "causa da crise financeira", o número de beneficiários caiu muito.

Mentira!

O segundo gráfico mostra que a queda foi muito, mas muito pequena, e ainda hoje esses planos tem 50 milhões de pessoas sob sua tutela. Em 2003 eram 30 milhões.

Receitas subtraídas das despesas nos planos de saúde no Brasil

Número de beneficiários nos planos de saúde no Brasil

 

Lucro por pessoa nos planos de saúde no Brasil

O blog SaúdeBusiness ainda faz uma conta bastante interessante. Eles chamam de diferença per capita, ou seja, toma-se os valores do primeiro gráfico e dividem pelos valores do segundo gráfico.

Em palavras um pouco mais simpes, a grosso modo seria o quanto o plano lucra com cada pessoa, cada beneficiário que paga todo mês.

Nos últimos dois anos, da tal "crise", os planos lucraram, lucro líquido, por volta de 500 reais com cada beneficiário.

E por que eles querem mais?

Multiplique-se esse valor por 4. Imagine que esses planos terão 200 milhões de beneficiários, sendo que aqueles que não podem pagar, são pagos pelo governo!

Na realidade o governo vai cobrar anida mais caro de nós, que podemos pagar um plano de saúde. Os planos vão aumentar de forma substanciosa a mensalidade para cubrir "esses gastos extras".

Mentira de novo!

Vai passar de 100 bilhões o lucro líquido de todos os planos de forma conjunta.

Só mesmo uma mente doentia de tal governo para pensar rápido nisso e tirar o único e péssimo benefício que pessoas pobres ainda possuem.

As pessoas ainda podem pensar de forma errada: "Ah mas os médicos ganham bem".

Na realidade não é bem assim.

Muitos planos cobram caro dos beneficiários e pagam muito mal por hora trabalhada do médico. Outros até pagam melhores honorários médicos, mas atrasam ou glosam os pagamentos por meses. Muitas vezes (quase sempre) os planos atrasam porque dizem que os médicos, fonoaudiólogos, psicólogos entre outros erraram o número do processo (?!?).

Outras vezes os planos atrasam porque dizem que os médicos não entraram na data correta com a guia de procedimento. Mas já presenciamos inúmeras vezes em que o site desse ou daquele plano de saúde estava fora do ar. Estranho, sempre é na mesma data de entrega da guia do associado médico?

E outros ainda, ameaçados de quebrar, estão cobrando dos médicos que já pagaram anos atrás para entrar, que paguem novamente cifras da ordem de R$ 60 mil reais. Relatos nos chegam de que a Unimed em algumas cidades está cobrando novamente dos associados mais antigos. E além disso, se algum associado quiser deixar a Unimed, deve pagar para sair.

Mas a Unimed continua patrocinando equipes de Volei, Futebol entre outros. E pagam salários altos para técnicos, jogadores, diretores, tudo em prol da (falsa) visibilidade. De gestão, a nota deles é zero. E a Sul América? Foi grande patrocinadora de esportes nos anos 80.

Nada contra os planos de saúde patrocinarem o esporte nacional, responsável muitas vezes pelo sucesso de algo também esquecido pelos governos. Mas o discurso não bate quando alegam problemas financeiros e altos salários não para atletas olímipicos, mas para miliorários times de futebol.

O que temos que entender é que a dignidade humana não se trata com aquilo que temos em nossa carteira. Ela se trata com coração e mente, ao olhar e não se acomadar ao ver pobres, sem casa, crianças e gente se banhando no esgoto. Temos que denunciar, protestar, rebater qualquer tipo de injúria contra essas pessoas já oprimidas por sua situação.

O que tem na carteira vem dessa consequência de indignação. O Brasil tem sim, muito dinheiro para ajudar esse povo mais carente, e a solução com toda certeza não virá dos bilionários planos de saúde e os amigos de Michel Temer. Tem que vir da pressão da sociedade, que infelizmente no Brasil parece não exisitir mais.