Segunda-feira, 29 de Dezembro, 2014

 

Tempestade cada vez pior

Mais uma vez a irresponsabilidade da política mundial tomou conta da mais recente conferência sobre o clima, realizada no Peru. Apenas houve uma concordância de um acordo possível para cortes na emissão de CO2 pelos países no ano que vem. E a cada ano estamos vendo imagens que antes eram apenas de catástrofes "fora do comum". Pessoas sendo atingidas por raios, quedas de árvores centenárias matando pessoas nas cidades, vendavais destruidores, avalanches desmontando montanhas, e ainda assim, as pessoas que lutam para cessar a emissão de CO2 são chamadas de ecologistas "insanos".

Sempre que existe uma discussão sobre cortes de CO2 por países, ou mesmo leis que proibam a devastação da Amazônia, os políticos atacam os ecologistas como pessoas que "vivem no mundo da Lua". Quem vive no mundo da Lua? Ecologistas que lutam por um planeta mais limpo ou políticos que lutam para roubar mais?

A NASA mantém um site muito interessante que atualiza todos os dias os dados de monitoramento do clima, chamado de Global Climate Change Vital Signs of the Planet. E para quem tem tempo ou curiosidade de saber como está o local onde vivemos, o quadro é assustador, e praticamente não tem volta. Os pesquisadores da ONU que trabalham e coordenam grupos de estudos do clima, estão amenizando para não causar pânico global. Mas os dados são mais fortes e mostram que o ponto de volta, provavelmente já passou. Seria coincidência a Nasa, a China, a India, a Europa e o Japão intensificarem as missões para Marte e Lua?

Os dados do gráfico anterior são históricos da NASA para a temperatura anual desde 1880. Desde o ano de 1940 a temperatura média anual da Terra cresce a todo ano, sem nenhuma mudança de tendência. Na verdade, se observamos melhor, desde o aumento no uso de hidrocarbonetos derivados de petróleo, a temperatura da Terra nunca mais foi a mesma. A ligação entre emissão de CO2 e temperatura terrestre é indiscutível, como podemos observar no gráfico à seguir. Os dados em azul são da temperatura global normalizada e os dados em vermelho são da emissão de CO2 desde 2005. A correlação entre esses dados é de 73,7%.

Os dados globalizados da temperatura desde 1884 são ainda mais assustadores. Para quem entende de teorias que explicam "pontos de retorno", ou seja, como controlar processos e como agir para controlar e regularizar um sistema, o gráfico à seguir nos prova que esse ponto já passou. Mesmo se todo desmatamento terrestre, mesmo se todos os políticos decidissem atuar, levaria séculos para a temperatura global voltar aos moldes de 1884. Em 1884 as áreas mais quentes estavam no pacífico e no oeste da Africa. Nos dias atuais, o planeta inteiro está com temperaturas elevadas.

Esta temperatura elevada pode ser traduzida em maior nível de evaporação dos oceanos e rios, maior degelo das calotas polares e obviamente, em mais severas tempestades. E o que fizemos? Absolutamente nada, mesmo com os cientistas tentando convencer políticos e mídia para ter maior atenção e tornar esse assunto o mais relevante da política mundial.

O derretimento da calota polar nem precisa de dados. É vísual como o gráfico à seguir nos mostra.

Polo Norte - 1979

Polo Norte - 2012

Entre os anos de 1979 e 2012 o oceano que dificilmente era atravessado por navios no pólo Norte da Terra, tornou-se navegável, abrindo uma nova rota pelo comércio mundial entre Russia e demais países. Se isso não é prova de algo errado, então estamos todos malucos mesmo. E para onde foi todo esse gelo? Para o oceano, aumentando o nível e obviamente aumentando a evaporação, levando a tempestades mais frequentes nas áreas tropicais. O derretimento da calota polar está em 13,3% por década, segundo cálculos da Nasa.

A figura ao lado mostra que desde 2008 a variação da massa de gelo na Antártica se tornou negativa. Isso significa dizer que entre o verão e o inverno do ano seguinte, a Antártica não está mais conseguindo repor o gelo derretido.

A Antártica está perdendo 147 bilhões de toneladas de gelo por ano. A Groelandia está perdendo 258 bilhões de toneladas por ano. Esses dados são provas irrefutáveis de tempestades avassaladores a partir de 2015.

Para onde vai todo esse gelo? Para o oceano, e o gráfico ao lado nos mostra que não existe mais volta. Desde 1870 o nível do oceano não oscila mais, apenas aumenta. Não vai demorar muito para cidades litorâneas começarem a gastar verbas de bilhões de dolares para produzir aterros nas praias e tentar afastar as marés altas das ruas e avenidas.

E o país que mais tem área florestal (leia-se nós) está lento no combate aos madeireiros e produtores de gado que insistem em transformar a Amazônia em pasto.

É claro que a população da região amazônica precisa de progresso, precisa de tecnologia, precisa de melhoria em suas vidas. Mas isso não pode passar por destruir aquilo que nós temos e que os outros perderam: a floresta.

Até 2008 o combate vinha produzindo lentos, mas constantes resultados na diminuição do desmatamento. Mas desde então, a aceleração do desmatamento aumentou, e volta a preocupar o mundo todo, com mais uma exposição negativa do Brasil.

E quando se fala de exposição negativa, com o que nossa mídia jornalistica se preocupa? Com a derrota de 7 a 1 na Copa do Mundo de Futebol para a Alemanha. Ou com a corrupção. São assuntos importantes, mas são os únicos?

Pouco ou quase nada é produzido de material para expor o governo no descontrole do desmatamento.

As notícias somente são veiculadas na semana em que os dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) são divulgados. Aí sim, nossos jornalistas escrevem e enchem a internet com dados e gráficos. Passados alguns dias, tudo cai no esquecimento e somente teremos o mesmo assunto no ano seguinte.

 

Perda de massa de gelo pela Antártica

Aumento no nível dos oceanos na Terra desde 1870

Desmatamento florestal no Brasil

Se realmente nossos jornalistas querem fiscalizar, como sempre escrevem e divulgam nos jornais televisivos, uma maior produção de material crítico deveria aparecer todas as semanas do ano sobre o desmatamento na Amazônia.

Por exemplo, o brasileiro leigo é cheio de criticar o programa espacial dizendo que precisa de dinheiro para comer e para a saúde, e que gasto espacial é "dinheiro jogado fora". Errado.

Sem satélites, sem foguetes, não temos uma forma de controle em tempo real. O que fazemos então? Compramos. Pagamos mais caro por um produto que poderíamos estar usando com um bom corpo de cientistas da área espacial. Como não usamos esse corpo de especialistas, para onde a mão de obra vai? Vai trabalhar em bancos e fundos de investimentos. Outro disperdício de dinheiro público, pois esse corpo foi formado com dinheiro do contribuinte.

E como não sobrou muita gente, nem muito satélite, a fiscalização caiu com salários baixos. E como a fiscalização caiu, o desmatamento aumentou. E como o desmatamento aumentou, o nível global de CO2 produzido pelo Brasil também.

Como isso retorna para nós?

Em forma de tempestade, de mortes, de quedas de árvores, de energia, com raios que matam e com inundações. Economizamos 30 milhões de dolares não construindo satélites, e pagamos 1 bilhão de dolares para arrumar as cidades das tempestades. Muito inteligente nosso povo e nosso governo. Conta de padaria para um problema gigante.

Para quem acha que isso é falácia, vamos observar o gráfico à seguir. Ele mostra como estava o nível de CO2 em ppm (partes por milhão) em todo o planeta Terra. Em 2002 a média global era praticamente constante, com algo em torno de 355 ppm de CO2. O que temos nesse ano de 2014? Toda a fumaça produzida pelo desmatamento da Amazônia está indo parar no pólo Norte, causando o degelo como podemos observar no gráfico à seguir.

 

As áreas em vermelho mostram os lugares da Terra com maior concentração de CO2. Essa concentração segura a radiação solar, aumentando a temperatura nos pólos. E o que isso causa? O derretimento da calota polar que vimos nos gráficos anteriores. Isso significa dizer, que nosso país, que se diz belo, com "povo maravilhoso" está ajudando com uma porcentagem enorme a acabar com o planeta Terra.

Sim, aqueles que desmatam, aqueles que ganham dinheiro colocando gado na Amazônia, aqueles que criticam os ecologistas, aqueles que criticam o programa espacial brasileiro, aqueles que apoiam a corrupção em prol de seu pensamento mesquinho, está destruindo a calota da Terra.

Em breve nosso povo não será mais visto como "povo amigo", mas como o povo que destruiu a Terra. E vai ocorrer o seguinte. De alguma forma, EUA e países ricos vão jogar a conta para nós pagarmos. Por exemplo, vão subir a taxa de juros de empréstimos enquanto o desmatamento não diminuir x%. Vão obrigar os fundos de investimentos a não colocar dinheiro aqui, enquanto o controle da Amazônia não for total. Vão espalhar que o brasileiro é o "principal responsável" pelo degelo mundial.

Enfim, nossa geração de filhos e netos, nunca vão nos perdoar por deixar passar esse "descuido" e jogar a conta para eles. Claro que EUA são os maiores emissores de CO2 junto com China. Claro que a Russia com sua queima de petróleo é uma das grandes devastadoras da calota polar. Mas para eles, isso não importa. O que importa é que verde que era visto da Estação Espacial está deixando de existir, e isso em breve vai aparecer nas televisões. Quem escreve a história nos livros do mundo? EUA e países ricos, ou nós, o "povo amigo do Brasil"?

Então, a partir de 2015 a primeira punição será pelas tempestades vindas do clima. Depois virá a tempestade das cobranças pelo desmatamento da Amazônia com os países mais desenvolvidos. Começará no ano que vem, a partir da próxima reunião do clima, mas vai nos apertar ano após ano com juros mais altos e cobranças mais severas nos investimentos internacionais aqui no Brasil.

Antes de culpar a natureza pelas quedas das árvores, pelas mortes por raios, pela seca histórica em São Paulo, devemos nos culpar e nos punir com uma educação ambiental melhor e séria. Que assim seja em 2015, depois das tragédias do clima, a vitória da esperança.

Feliz 2015 mesmo sem boa parte da Amazônia!

 

 

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