O tempo das bolsas de valores

 

Uma mãe sentada ao redor de uma mesa, num final de tarde diz ao filho que se não tivesse conhecido seu pai, ele não teria nascido. No que o garoto pensa: “nossa, como aquele instante de tempo foi importante para meu nascimento!”. O que teria acontecido se, dois segundos antes, a mãe tivesse olhado para outro lado? O tempo é uma medida imaginativa humana, muito criticada por vários filósofos. Conforme comentado no livro O enigma do tempo de Paul Davies o filósofo J.J.C. Smart brincou perguntando: “Com que rapidez o tempo corre?”. Como a velocidade é medida por unidade de tempo, não existe medida de tempo por unidade de tempo. Então, será que o tempo flui mesmo? O matemático G.J. Whitrow escreveu: “O tempo é o mediador entre o possível e o real”. E Einstein escreveu: “ A distinção entre passado, presente e futuro é uma mera ilusão, ainda que teimosa”.
Então qual é a hora de entrar na bolsa? Qual a hora de sair da bolsa? Quando a bolsa vai cair ou subir? Essa hora ou tempo mata de ansiedade os investidores que sempre pensam que podiam ter ficado um pouco mais, ou saído um pouco antes. Há também aqueles que se acusam de que a bolsa só caiu porque ele entrou. Naquele exato instante que ele clicou em seu home-broker a bolsa virou, porque era aquele instante que ele estava entrando.
Na verdade o tempo realmente não existe, é uma invenção humana para colocar regras ao seu ritmo de vida. Quando olhamos para abelhas, não trabalham num ritmo frenético, trabalham em seu ritmo, em seu “bio-ritmo”. Ela não vive menos que humanos, se expandirmos seu “tempo” de vida, estará vivendo tanto quanto qualquer humano, apenas o mundo dela é diferente.
O mundo das bolsas é assim, diferente. Seu tempo é o tempo de negociação, suas notícias são as que aparecem naquele instante no ticker. Primeiro se adquire ou se desfaz de um ativo, depois se analisa se era verdade. O tempo das bolsas não flui de maneira linear. Quem está sentado na frente do monitor diariamente sabe que, há dias que o pregão parece ter 24 horas, lento, parado, sem graça, nada acontece. Há dias que se vive como abelha, tudo acontece ao mesmo tempo, notícias, eventos, o ticker fica passando numa velocidade que parece um carro de fórmula 1.
Por isso, o tempo é um medidor viciado das bolsas, assim como qualquer droga química, ativa a adrenalina e faz o ambiente de bolsa ser outro mundo. Nunca será possível prever a hora exata que as bolsas sobem ou caem. Porque essa hora exata não existe, ela simplesmente está paralela ao nosso mundo, e não no futuro como se acredita.
Quem conversa com pessoas do mercado de longa data percebe que a hora de entrar e de sair é o “sentimento” da experiência. Esse sentimento é uma espécie de aura, alguma coisa que não se sabe explicar e chamamos de intuição. E essa intuição vem através das freqüências das ocorrências dos eventos, ou seja, ela vem em ondas perfeitamente calculadas por diversas técnicas, seja de Estatística, seja de Matemática, Engenharia, Física ou Computação. É possível encontrar um formato de onda? Sim. É possível encontrar um formato do tempo? Não. Como a teoria da relatividade provou, o tempo é um eixo a mais em nossas vidas. Não olhe para o tempo na hora de investir, olhe para as freqüências, para seu ciclo próprio de atividade e rendimento desejado. Afinal, como disse Edward Milne (matemático) : "Não podemos capturar o minuto fugaz e pô-lo ao lado de um minuto posterior".

 

 


 

Quarta-feira, 9 de Dezembro, 2009