Segunda-feira, 12 de Dezembro, 2016

 

"Time to Go" para a Economia do Brasil

A expressão "Time to Go" no jargão das Ciências Exatas significa o quanto falta para se atingir um objetivo traçado algum tempo antes. Por exemplo, nos lançamentos de foguetes, existe a contagem regressiva para o acionamento dos motores. O tempo nesse caso sempre aparece negativo, pois está sendo medido antes do evento. Outro exemplo é o da gestação. A mãe conta o "Time to Go" para o nascimento de seu bebê em semanas, baseando-se a contagem nos dias lunares.

E a economia no Brasil está com "Time to Go" bem curto, mas infelizmente, esse "Time to Go" não é para uma arrancada, para uma disparada no crescimento, mas sim para cair no abismo. O poço está aberto e mesmo assim, o governo não consegue enxergar que o caminho está com "Time to Go" para o fracasso.

O cenário que no começo do ano era ruim. acabou se deteriorando rapidamente, está agora mais se parecendo com final do governo Sarney. A única e feliz diferença é que a inflação não é nem de longe igual a daqueles anos trágicos. Mas de resto, as denúnicas de desvios, de roubos, de atuação de quadrilhas, fazem a turma de Sarney parecerem "velhinhos bonzinhos".

Após essas denúnicas do delator da Odebrecht na semana passada, é bem capaz que Temer ainda fique no poder. Afinal de contas, como se viu, ninguém está de fora da grande quadrilha montada entre políticos e governantes. E também como se viu, nenhum partido está de fora, ninguém poderá rir do outro.

Está "cheirando" um acordão para camuflar relatos horripilantes. Em qualquer outro país, um pouco mais sério, talvez até mesmo na Síria, os políticos estariam na cadeia com pena de morte decretada. Mas no Brasil, até mesmo nosso superior tribubal se apequena frente aos "grandes" nomes da política.

Mas vamos supor que exista ainda um suspiro de esperança, e que todo mundo se una para trocar tudo. Mesmo assim, nosso "Time to Go" está muito apertado para o desastre. E o desastre passará por um aumento ainda maior no desemprego, por endivamento ainda maior de empresas, por inadiplência ainda maior da população que trabalha.

De nada adianta abaixar a taxa Selic em 0,25%, se o governo atua com faixas de quase 50%. Os bancos cobrarem 300% e a diferença entre câmbio oficial e paralelo é lucro para banqueiros, que sempre ganham em qualquer situação.

Os dados a seguir são do Banco Central do Brasil e indicam que nesse ano de 2016 o crédito está despencando para quem precisa investir em seu crescimento ou de seu negócio.

Crédito exagerado como foi registrado no governo Lula também é errado, pois sem análise séria, sem comprometimento com investimentos que façam o país crescer, apenas gera mais dívida para pessoas que não tem educação financeira adequada. Muitas pessoas abriram seus próprios negócios, envolvidos pela onda do "empreendedorismo". Quantos fecharam por conta disso?

Fonte: BC do Brasil

Olhando apenas para os dados das pessoas jurídicas, podemos observar ao lado que a queda foi ainda mais drástica.

O pequeno empresáro é quem mais está sofrendo as consequências dessa retirada de crédito. E o pequeno investidor não tem aplicações em bancos, não trabalha com spreading de câmbio.

O pequeno empresário precisa do governo e como se vê, em 2016 o governo virou de costas. E como esse pequeno empresário também emprega boa parcela da sociedade, o resultado é nossa atual taxa de desemprego de 11,8%.

Senhor Temer e seus companheiros de caixa 2, podem se sentar quantas vezes desejar, quantas vezes pretender estudarem medidas para "acelerar" a economia.

Não vão conseguir, pois investir na pessoa física e pequeno empresário, como se vê em seus próprios dados oficiais, não é a política desejada.

E o pior de tudo é que mesmo quando empresta, o governo vem reduzindo os prazos de pagamentos desses empréstimos.

Ao lado observa-se a tendência de redução de empréstimos em meses, girando nesse ano por volta de 68 meses.

Ou seja, qualquer empresário, seja ele de grande ou pequeno porte, se tomar empréstimo para expandir ou começar seu negócio, terá que começar a devolver em até 5 anos.

Para empresários de grandes corporações, 5 anos é um bom horizonte pelo montante de clientes, volume das operações e aplicações financeiras.

Mas para o pequeno empresário, 5 anos é um tempo muito apertado para começar a devolver o que tomou emprestado.

Fonte: BC do Brasil

 

Fonte:Bc do Brasil

 

 

 

 

A conclusão de tudo isso?

Aumento da inadimplência. O IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo) acompanha mensalmente a taxa de inadimplência divulgada pelo Banco Central.

Ao lado está um gráfico elaborada por eles, com os dados do BC.

E como dissemos antes, como era de se esperar, se observa que a inadimplência, principalmente a jurídica, está disparando.

Nesse ano de 2016 a taxa de pessoas jurídicas inadimplentes subiu de 2,8% para 3,6%.

Só nesse ano, os inadimplentes compostos por pequenos empresários aumentou em 28%.

Será que é tão difícil um governo perceber o que de errado está fazendo?

Qual é nosso "Time to Go"?

Quanto mais essa taxa de inadimplência aumentar, maior será o desemprego. Para comparar isso, não precisa nem ser cientista para entender o gráfico à seguir. É só observar, sem precisar de matemática nenhuma, que quando a inadimplência aumenta, a massa salarial industrial desaba. E com isso.... o desemprego aumenta! Isso é claro!

Então, mais uma vez, qual é nosso "Time to Go"?

Um mês? Um trimestre? Um ano?

Nosso "Time to Go" está alinhado com a política de Donald Trump. Se os juros por lá aumentarem consideravelmente, nossa economia vai desabar consideravelmente. Isso porque nossa economia está atrelada aos especuladores e não aos investidores. Os dolares que nos mantém vivos são voláteis, não pagam impostos, entram e saem do mercado financeiro bem tranquilos.

E quando os juros dos EUA sobem, todo mundo se vai.

Então nosso "Time to Go" pode ser de -20 dias. Se até o final desse mês o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) subirem seus juros, nossa economia vai girar num turbilhão.

Se isso não ocorrer, talvez nosso "Time to Go" seja de -45 dias. Isso porque depois que Trump assumir, até o final de janeiro, tudo deverá mudar nos EUA. E se mudar na linha financeira, aqui mudará para pior.

Então, nosso "Time to Go" está perto, muito perto. Mas se nos protegermos de alguma forma, podemos adiar ou cancelar essa medida. Como Michel Temer parece que faz de tudo contra o assalariado, o mais correto é mesmo esperar por um "Time to Go" bem curto, para nós, e para ele também!

 

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