
Quarta-feira, 27 de Outubro, 2010
O tolo e o sábio do mercado mundial
"A águia voa sozinha, os corvos voam em bando, o tolo tem necessidade de companhia e o sábio necessidade de solidão". Esse é um dos pensamentos do poeta e pensador alemão do século XVIII Friedrich Rückert. Rückert é considerado um dos maiores pensadores sobre linguagem oriental na Alemanha. Começou sendo professor de línguas orientais mas depois se tornou um pensador dos estilos de poesias nas linguagens orientais. Ele foi mestre em nada menos do que 30 linguagens diferentes e começou ele próprio a escrever suas poesias ao estilo oriental. Compôs cerca de 121 trabalhos sendo muitas de suas poesias transformadas em músicas de Schubert e Strauss, por exemplo.
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Friedrich Ruckert |
Com o pensamento entre o tolo e o sábio, Ruckert ainda vive e suas palavras podem ser consideradas como professias para o estilo dos eventos que acontecem nos mercados mundiais. Nos recentes acontecimentos envolvendo as moedas, os corvos estão a toda atacando todas as moedas do mundo e obtendo muitos lucros. Na tentativa de sair da crise, o tesouro americano agora colocou as máquinas de impressão a toda para produzir tantos dólares quanto for necessário. Ben Bernanke e Timothy Geithner (secretário do tesouro dos EUA) vivem em companhia um do outro, sempre reforçando ou defendendo suas tolas posições. "É um erro tentar prevenir ou resolver problemas adicionando liquidez". Isso já dissemos e mostramos graficamente usando programação de modelos matemáticos em nossos textos "O cisne negro do mercado" e "Darwin, as bolhas e crashes do mercado de ações". Mostramos como liquidez e alta-freqüência tiram a estabilidade de sistemas dinâmicos como o mercado de ações. Mas dessa vez, a mesma frase foi dita por alguém muito importante: Ministro da economia alemã Rainer Bruederle. E ficou sozinho como notificou a bloomberg.
Rainer Bruederle - ministro da economia da Alemanha Na reunião do G20 dessa semana, deixaram talvez o mais lúcido dos ministros isolados e deram de ombros às suas duras críticas ao FED. Ele alertou diversas vezes sobre o que o FED e o tesouro americano estão fazendo nos mercados mundiais. Ao invés de resolver o problema estão causando outro pior. Segundo sua visão, adicionar mais dólares no mercado estaria impulsionando o mercado para uma grande e catastrófica crise à frente. Segundo suas palavras: " Excessiva e permanente criação de dinheiro em minha opinião é uma manipulação indireta de uma taxa de câmbio". E de quebra Bruderle ainda criticou a ajuda à GM, segundo ele outra estratégia errada. O banco central americano empurrou no mercado 1,7 trilhões de dólares em débitos no mês de Março. O secretário do tesouro americano Timothy Geithner falou com desdém que "Nós vamos continuar tentando a recuperação com toda força para sair da crise o mais rápido que nós podemos". E quando perguntado se temia que as palavras do ministro alemão pudessem ganhar côro ele respondeu:" Eu não". No entanto, no discurso de 15 de Outubro Ben Bernanke disse: "... o risco de deflação é mais alto do que desejamos...". E então os dois principais da economia americana estão com o pensamento errôneo que devem adicionar inflação artificial para sairem da crise. Essa é uma das explicações de por que o dólar não pára de cair no mundo inteiro. Para os EUA momentâneamente é bom, mas no futuro o preço será impagável. Tem economista fazendo projeções como as apresentadas no gráfico a seguir, que nos próximos 10 anos a dívida americana estará em 3 trilhões de dólares. Realmente ela será paga, mas não com dinheiro e sim com outra crise se as previsões dos economistas estiverem certas.
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Fonte:http://www.marketoracle.co.uk/Article8223.html |
É difícil acreditar que teremos nova "perna" da crise e tudo parece mais uma "teoria da conspiração". Os bancos brasileiros estão cada vez com lucros mais crescentes e como alguém em sã consciência poderia acreditar em crise, ainda mais num momento de exuberância no Brasil. Existe um conceito no pensamento humano que se chama cognição. Em ligeiras palavras e muito simples, é o poder da mente humana em detectar e aprender com experiências dos outros e suas próprias. A cognição com a observação da experiência dos outros se chama relacionamento social e no caso dos mercados se chama "globalização". Por que disso? A bloomberg noticiou que apesar de crescer os bancos dos EUA terão o pior crescimento da década. A queda na receita será de 4% nas projeçoes desse ano. E onde os bancos vão tentar compensar? Nas bolsas de valores, isso é bastante claro. Os bancos dentro em breve vão começar suas exposições mais arriscadas para compensar essa queda. E para onde eles vão atacar? A resposta está nesse artigo dessa semana, que vazou dos altos executivos europeus: "Quatro grandes bancos devem planejar saída da europa" diz Mattew Lynn, destacando que os bancos estão preocupados com as quedas das receitas. Segundo o autor os bancos seriam HSBC, Barclays, UBS e Credit Suisse. Entre os primeiros países que esses bancos planejam deixar são a Islândia e a Irlanda. Ironicamente foram exatamente os países onde mais esses mesmos bancos injetaram liquidez e realizaram grandes depósitos há menos de três anos. O que acontece se esses bancos deixarem a Europa? A Europa começa a perder a importância econômica mundial, pois suas sedes seriam meros órgãos regulatórios mas a massa expressiva estaria no país da sede financeira. E para onde vão esses bancos. Parece que China ou EUA são as possibilidades, mas os EUA não vão querer mais quatro bancos gigantes diante dos fechamentos de bancos americanos que eles vem realizando toda semana. Será que estão fechando bancos nos EUA? Desde nosso texto "bancos não páram de falir nos EUA", toda semana tem banco ou ajudado ou fechado pelo órgão regulatório americano. Quem desejar conferir no FDIC poderá ver que na semana de 22 de Outubro foram 7 bancos, na semana de 15 foram 3 e na semana de 1 de Outubro mais 2. Total só em Outubro 12 bancos. Isso é para mostrar que não é porque os bancos do Brasil estão em ávido crescimentos que estamos seguros. Quando caem em crise, caem em bando, e vão recorrer ao poder nacional. Só que quando se recuperam jogam de volta o problema, tal como desemprego, ao governo. Aí se torna um problema social no qual sempre os bancos vão tentar se distanciar. Quando um banco diz que faz ação social, mantendo um órgão educacional, ou algum setor, corre para fazer marketing. Mas quando demite pessoal por problemas de incompetência gerencial, o problema é da economia e não de suas mágicas financeiras. Logo, se realmente os EUA vão continuar a injetar dólar no mercado, se o desemprego nos EUA vão continuar (e vão), se vai ocorrer deflação nos EUA ( e vai), se os bancos americanos vão perder receita e se os bancos europeus estão pulando fora da zona do Euro, ainda mais volatilidade e liquidez pode ser esperada. Podemos considerar então que o sábio nessa história é o ministro Bruederle. Quanto à águia, os corvos e o tolo, deixamos ao leitor para concluir quem são. |
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