Sexta-feira, 5 de Novembro, 2010

 

 

Dólar sem arruela de vedação

Depois de muito tempo sendo apertada, com o tempo as torneiras vão perdendo o poder de pressão em segurar a água que vem pelo cano. Teimosamente muitas vezes o que se faz é apertar mais forte na ingênua tentativa de associar a força ao poder de acabar com os pingos. O que acontece é que a famosa "borrachinha" conhecida como arruela de vedação está gasta. E o ato de apertar a torneira cada vez mais forte vai despedaçando ainda mais a arruela a ponto de num certo momento a torneira não fechar mais. E aí a água não pára e temos que chamar um encanador.

Quem será o encanador do FED (Banco Central Americano)? O presidente do FED e seus conselheiros perderam a cabeça completamente e o mercado adorou. Sempre que o mercado adora decisões erradas ele sobe na expectativa de altos ganhos em pouco tempo. Novamente, tudo de novo por culpa deles. Vamos sofrer muito a médio prazo por essa decisão completamente errada.

Conforme alertamos sobre a "teoria do altamente improvável" ao colocar mais dinheiro no mercado, o FED está acabando com a estabilidade do mercado. Estabilidade aqui do ponto de vista matemático, deve-se entender como trajetórias em círculo em torno de um ponto de referência. É verdade que não tínhamos um ponto de referência ainda para a estabilidade mundial, mas agora perdemos completamente o pouco que se desenhava. A simulação dessa perda de estabilidade se encontra no youtube quando, imitando o modelo presa-predador, mostramos o que acontece com inserções com alta frequência num mercado financeiro.

As reações estão sendo imediatas, e não apenas do mercado financeiro, tão insano quanto o presidente do FED. Ao jogar mais 600 bilhões de dólares na recompra de seus títulos, os americanos vão diminuir a margem de lucro dos bancos pois a rentabilidade vai cair. Não contente com isso, Ben Bernanke resolveu hoje apertar os bancos para pagarem dividendos que desde a crise ficaram "esquecidos", como mostra a reportagem na bloomberg. Ao diminuir essa margem de lucro dos bancos, como eles vão fazer lucro? Nas bolsas, é claro. E vão vir para o Brasil para gerar a super-bolha latina.

Com medo disso e sem mencionar matemática nenhuma como fizemos, o ex-ministro do BC do Brasil Henrique Meirelles deu o tom hoje das críticas brasileiras, conforme o UOL. Em suas palavras:"...essa política de jogar dinheiro pelo avião só vai servir pra desvalorizar o câmbio e poderá gerar bolha nos países que estão comprando dólar...". Lula bateu mais forte chamando de "irresponsabilidade" e "mediocridade política". Mas essas não são críticas apenas tupiniquins.

Jim Rogers afirmou:" ... a única coisa que o Sr. Bernanke aprendeu em sua carreira foi como imprimir dinheiro..." e ainda mais duro disse: " ... ele não conhece economia...".

O economista Peter Schiff em seu blog estava mais que exaltado em dizer que agora o FED vai desvalorizar ainda mais o dólar levando os EUA à uma disparada ainda maior de seu endividamento.

O que todos querem dizer é que o FED está prometendo empregos que não vai poder cumprir. Não é jogando mais liquidez, seja para os bancos americanos ou empresas em bolsa de valores, que o nível de emprego vai melhorar. Usando o computador e um modelo que estamos criando para um artigo ainda a ser publicado, simulamos essa atitude do FED. É o que mostram os gráficos a seguir.

 

Simulação de modelo matemático no computador sobre a ação do FED no mercado mundial

 

Sem ter conhecimento dessa atitude do FED há alguns meses atrás, nos perguntamos o que aconteceria no mundo se o FED injetasse muito dinheiro para tentar salvar as bolsas? O primeiro gráfico mostra o desemprenho de três bolsas, China, Dow Jones e Bovespa. O gráfico abaixo mostra o nível de intervenção monetária do FED. As barras vão de zero a 1, sendo 1 o máximo de dinheiro colocado no mercado pelo FED. Obviamente que nesse artigo toda a parte cientifica é abordada para ajustar o modelo a dados reais das bolsas, para fazer estatísticas dos resultados e testar hipóteses sobre intervenção e não intervenção do FED.

O resultado estatístico é assustador, uma vez que mais de 200 simulações com 2 mil dados cada foram feitas para tentar eliminar algum resultado tendêncioso. Sim, o FED ao injetar muito dinheiro a ponto de interferir nas bolsas, derruba com altíssimo grau de significância essas mesmas bolsas que ele tenta ajudar ao longo do mundo. Mas nem precisava de estatística pois visualmente, mesmo para quem não entende muito de teste de hipóteses, é possível ver o que acontece com as bolsas olhando apenas para as barras.

Tentanto evitar as quedas, o FED na simulação por computador injeta muito dinheiro em curtíssimos período de tempo, a ponto das barras praticamente ficarem coladas. Então, quando as bolsas começam a subir, o FED (simulação) diminui suas investidas no mercado e espaça mais suas interferências, achando que controlou quedas. E então, mais ou menos 1 ano depois uma grande crise volta com toda força derrubando todo mercado mundial a ponto de não se recuperar mais e entrar em recessão.

Claro que o tempo de virada não é uma variável que se busca nesse tipo de análise de cenário conhecido como "teste de hipóteses". Em algumas simulações muito antes disso as bolsas viraram para baixo. Em outras, o tempo foi mais longo. Mas em todas, as quedas com interferências do FED foram sempre superiores do que as quedas sem interferência do FED.

Será que isso é apenas um exercício de matemática? Não é pois, o côro de pessoas importantes incluindo Paul Krugman que ganhou prêmio Nobel em Economia e Nouriel Roubini, reforça esse exercício computacional. Bolhas vão surgir e estourar e incrivelmente é isso que o mercado não vê. Na verdade é isso que o mercado quer, pois os especuladores de grande calibri é que estão fazendo se passar por investidores e "chamando" os minoritários para suas garras.

Não é verdade o que Ben Bernanke disse: - que os EUA tem o poder de imprimir quanto dinheiro quiser e o fará a todo o custo para evitar a recessão. Assim como a torneira pingando, vai chegar uma hora que a caixa d'água vai secar. Isso porque o registro vai ser fechado por alguém. Quem será que vai fechar não se sabe, mas pode ser um conjunto de situações e de países de forma conjunta para segurar os EUA. E então, 10% de desemprego vai parecer um cenário ótimo para os EUA frente a uma grande recessão que ele mergulhará. Essa previsão não é nossa, mas de todos os acadêmicos e políticos citados nesse texto. Incrivelmente, no entanto, todos concordam com o resultado matemático, mesmo que a matemática não entenda nada de política. Quando isso acontece, um sinal de mal presságio ocorre e o que era simulação pode se tornar real.

Deixar torneira pingando não é bom, pior ainda é tirar a arruela que segura a insanidade.