Sexta-feira, 16 de Julho, 2010

 

 

G.Sachs: Traído pelas palavras

De tanto dizer não e cansado por suas palavras não terem efeito, Blankfein acabou dizendo sim. Nessa quinta-feira (15/07/2010) o Goldman Sachs entrou em acordo com a SEC, uma espécie de CVM americana. O Goldman Sachs terá que efetuar um depósito histórico de mais de 500 milhões de dólares.

Segundo reportagem do New York Times ("With Token Settlement, Blankfein Unscathed") esse valor, apesar de parecer muito não chega a 15 dias de operações do banco. Então para o Goldman foi uma verdadeira "pechincha" essa quantia. Mas o mais caro e dispendioso é a imagem que fica. Segundo a reportagem o CEO Blankfein saiu vitorioso e prestigiado pois segurou até onde dava o "blablabla" todo enquanto fazia caixa. Os investidores gostaram tanto que as ações subiram 4,3% e o CEO continua no cargo antes ameaçado.

No entanto, ainda na mesma reportagem, existem analistas que não enxergam isso como uma vitória do Goldman. Enquanto o Goldman estiver despejando lucros aos clientes sua estima estará em alta. Mas basta em algum período começar a dar prejuízo para o assunto voltar e junto a desconfiança nas operações.

Alguns outros CEO de outros bancos acharam um absurdo esse acordo, pois segundo eles as palavras que os membros da SEC usam como "fraude" está fora do contexto. Segundo eles o Goldman errou, cometeu um erro e não uma fraude. Será que estão prevendo problemas para eles também?

 

Ações do Goldman Sachs até quinta-feira (15/07/2010) no Dow Jones

 

Qual a jogada de Blankfein? Não parece muita coincidência fazer um acordo no dia em que o Congresso americano passa a nova lei de regulação do mercado? É que agora com a nova lei, as punições são ainda mais severas e no jogo de gato e rato é melhor o rato devolver um pedaço o queijo do que ser engolido pelo gato. Pelo menos de barriga cheia o gato deixa o rato sossegado por um tempo.

Esse acordo não foi vitória, foi derrota. Depois de tantas vezes afirmar que não sabia, que não estava errado e que a SEC estava totalmente errada na acusação, reconhecer o processo é também uma derrota. A acusação era que o Goldman, mesmo sabendo que alguns fundos seus, nomeados em subprimes estavam mal, recomendaram e convenceram clientes a comprá-los. E ao fazer o acordo, não assumiram a culpa, mas deram um sinal que eles sabiam que os clientes iam perder dinheiro mas ficaram quietos.

 

 

Conforme alertamos em nosso post "Torre de marfim arranhada" o senado americano está de olho nas atividades do Goldman pois Blankfein foi muito mal em sua pronúnica no senado. Não convenceu ninguém e ainda deu a entender que estava procurando palavras certas para não parecer um depoimento mentiroso. Deve-se lembrar da irritação do senador Carl Levin ao afirmar que não confiava no CEO.

Aliás outro ponto interessante é que de alguma forma, no youtube, todos os vídeos que se relacionavam ao depoimento foram tirados do ar. Até mesmo a montagem cômica da bloomberg onde o CEO dizia diversas vezes "Eu não sei", "Eu não me lembro" não aparece mais nos sites e locais que estavam. Será que também nesse caso o Goldman exerceu seu poder?

O que vai acontecer ao Goldman iremos saber em breve, pois com as novas regras americanas, os clientes vão ficar de olho nos lucros, nas atitudes e nos prováveis processos, que podem levar a perdas milionárias. Ainda é muito cedo para dizer que Blankfein está blindado e que o Goldman venceu.