E o Big Ben parou

Quando em 1929, o primeiro ministro da Inglaterra, Winston Churchill foi visitar Wall Street, ele foi ovacionado no salão principal e todos achavam que a Inglaterra ia depositar seu próprio ouro nas ações das empresas americanas. A história mostrou que não foi bem isso que ele foi fazer na bolsa americana. Para proteger a economia inglesa, foi apenas reafirmar que o padrão ouro da libra, adotado um ano antes, ia continuar para manter o padrão Inglês de economia mundial.

Dizer que o risco de calote da Inglaterra hoje é o mesmo que da Grécia, Espanha e Portugal foi um exagero do Goldman Sachs. Colocar no mesmo gráfico em vermelho a Inglaterra, representando alto risco de calote, foi mais uma maneira de chamar a atenção para uma crise que continua aguda por lá e do possível risco real de um calote Inglês. Mas as coisas não vão bem por lá. Nessa semana a Bloomberg mostrou que as vendas de Janeiro caíram duas vezes mais do que todos esperavam :
(http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601068&sid=a7gbX8x41doI)

As vendas caíram 1,2 % quando se esperava queda de 0,5%, o que não é uma surpresa agradável visto que quedas assim não aconteciam desde há muito tempo e o desemprego é o mais alto desde 1997. A data é controversa, pois outras fontes dizem que dependendo do parâmetro é a pior desde 1993. Uma desculpa possível é a neve que não para de cair a quatro semanas, mas a natureza não deve levar a culpa pelos maus negócios dos súditos da rainha Elizabeth. O déficit orçamentário de Janeiro está em 6,7 bilhões de dólares e em se tratando de um país que possui enormes reservas de ouro, isso permite dizer que ao gastar mais do que arrecadam, o dinheiro não está fluindo para onde deve. Esse déficit corresponde a 12,8% do PIB Inglês, um preocupante número.

Nesse estudo publicado pelo Finantial Times:

(http://www.ft.com/cms/s/0/e45921b4-ffac-11de-921f-00144feabdc0.html?nclick_check=1#)

no dia 12 de janeiro de 2010, David Oakley já comentava da possibilidade dos países Europeus perderem seu grau de investimento, denotado pelo chamado triplo A. O gráfico ao lado, foi retirado dessa reportagem e colocava já naquela época a Grécia como o maior risco de calote. Logo depois vem a Irlanda e depois todos no mesmo balaio, inclusive a Inglaterra.

O grande problema é que estão começando a comentar demais sobre o Reino Unido, tal como na reportagem de hoje (http://www.free-press-release.com/news-britain-risk-worse-debt-crisis-than-greece-19-02-2010-1266576651.html ), o que pode levar a profecia auto-realizável, ou seja, de tanto se comentar o boato torna-se verdade. O fato é que a contaminação de crises que começam em países pequenos (pequenos em economia) podem ainda ser contornadas ou mesmo controladas, como as vividas na década de 1990 quando Rússia, Brasil, Argentina e México deixaram os investidores no mundo muito preocupados. Mas como a economia americana estava em alta, apenas as populações locais foram quem sofreram. Já para a Inglaterra, uma crise como as da década de 1990 dos países mencionados, não se tem idéia do que pode acontecer ao redor do mundo.

Acreditar ou não acreditar no calote Inglês não vem ao caso, pois isso seria caso de análise de cartomante. O que se deve fazer é acompanhar os dados a todo instante, pois os fatos estão sendo alertados pelos próprios jornais e estudiosos ingleses. Assim como se falou durante quase 3 anos sobre a possível queda dos sub-primes, que era uma loucura e ninguém achava que isso seria possível, aconteceu. Alertas são para serem estudados e as informações devem ser comparadas pelas suas fontes confiáveis. Afinal de contas, quando Churchill resolveu adotar o padrão ouro em 1928 para proteger a libra, um ano depois o mundo entrou na pior crise da história.

 

 


 

Sexta-feira, 19 de fevereiro, 2010