Um olhar para o desemprego
A força econômica de um país se mede pela capacidade de transformar mão de obra qualificada em mão de obra ativa. É sempre grande a preocupação dos governos em tornar essa taxa de desemprego a mais baixa possível. A taxa de desemprego baixa implica em alta estima não apenas pelos governantes, mas também proporciona um bem estar na população que faz o dinheiro circular, movimentando a economia.
Não é a toa que o presidente Lula e o presidente Obama, ou qualquer outro presidente sempre focam nesses últimos tempos a capacidade de seu governo em gerar empregos. Claro que de imediato isso se reflete em votos para todas as instâncias de eleição. Mas também é uma forma de medida de força de seu governo em mobilizar todas as classes, sejam elas de trabalhadores ou de empregadores.
Para mostrar como a taxa de desemprego é significante para todos os países, e para todas as formas de medidas de desempenho de políticas públicas, a CIA (agência de inteligência americana)
https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2129rank.html
tem em seu site um ranking dos países com suas taxas de desempregos, atualizadas para o final de 2009. Interessante e impressionante saber que existem países com taxa zero de desemprego, que no caso é Mônaco. Curioso também perceber que até a Bolívia e Cuba estão com taxas melhores que a dos países desenvolvidos como Inglaterra, França e EUA. Triste também ver que existem países com taxa de desemprego de 95% (Zimbabwe) que ocupam a posição de número 200. Assim como não é possível imaginar países com taxas de desemprego nulas, também é inacreditável aceitar taxas tão altas quanto de 90%.
Sem entrar no mérito do plano do governo brasileiro, se bolsa família é correto ou não, o importante é verificar que a taxa de desemprego brasileiro se tornou mais civilizada nesses últimos anos, tornando a qualidade da economia e vida das famílias melhores. Se isso vai durar, ou se isso abre possibilidade para geração de novas especialidades dentro dessas famílias para almejarem empregos melhores, apenas o tempo dirá.
No caso dos EUA, a realidade é outra e agora o governo americano estuda medida para tentar conter pelo menos o aumento da taxa de desemprego em 9.7% (gráfico ao lado). A situação está tão crítica que o FED está mudando sua forma de cálculo para estimar o crescimento da economia e saída da recessão levando em conta em suas projeções o poder de domar a velocidade da taxa de desemprego. Segundo a reportagem da bloomberg de hoje
http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601068&sid=aDXvIiQuLD8E
estão estimando que a trajetória da taxa de desemprego volte a subir nesse mês. Um fato curioso mas que pode ter um fundo de razão, são as fortes nevascas dos últimos dias. Com as pessoas fazendo estoques e ficando mais em casa, as vendas diminuem. Com vendas menores, existe menor geração de caixa o que torna mais difícil pagar fornecedores e manter funcionários. E a primeira atitude que se faz é a demissão de funcionários, causando aumento na taxa de desemprego. Na reportagem, os analistas da área estão estimando um aumento para 7,8% de desemprego nos EUA.
Tradicionalmente depois de uma crise com queda substancial nas bolsas, a taxa de desemprego aumenta e depois, com medidas dos governos tem um breve período de recuperação como mostrado no gráfico ao lado da crise de 1929. Mas, depois do período de especulação em que aqueles que estavam fora das bolsas resolvem investir por imaginarem que o “fundo do poço” já chegou, as bolsas voltam a cair aumentando novamente a taxa de desemprego.
Nessa crise (que ainda persiste e não acabou como muitos afirmam) não será diferente, pelo menos em termos dos países desenvolvidos. Para todos os grandes, entre eles Inglaterra e EUA, a taxa de desemprego até parece que estacionou, mas voltará com força. Isso porque as medidas adotadas na Europa e EUA foram para os fundos e bancos de investimentos especularem em bolsas e não para gerarem empregos. Como já comentamos no texto “ o silêncio dos inocentes” esses bancos tomaram dinheiro emprestado para se recuperarem de suas perdas, e não ajudarem seus respectivos países. Agora que o estímulo terminará, os governos devem ter estratégias bem mais arrojadas e direcionadas para o desemprego. Só um emprego pode gerar mais atividades e circular o dinheiro público e não o dinheiro para os bancos de investimentos.



Domingo, 28 de fevereiro, 2010