O vizinho fanfarrão
Fanfarrão é uma palavra que, de um modo grotesco se traduz como “aquele que se mostra o que não é”, ou ainda “ aquele que pronuncia bravatas”. A Venezuela é um país maravilhoso, com um povo muito bom e com... petróleo. É aí que mora o problema quando se tem governantes que se apóiam na bondade do povo e em sua ignorância para se tornar um ditador.
Hugo Chavez é um ditador e ponto final. Apoiado na cultura e raízes tradicionais de Simon Bolívar, com o intuito de “unificar” a América como o sonho de Bolívar, Hugo Chavez a passos pequenos, mas constante, foi se apoderando da situação e do controle total da Venezuela.
Induzindo e percebendo que poderia convencer pessoas sem instrução de que ele era o salvador da pátria, foi cultuando a idéia da república da Venezuela Bolivariana. Com isso, “democraticamente” possui a maioria e isso ninguém pode contestar, da população da Venezuela.
Como todo ditador o primeiro passo foi conseguir aliados internos e externos à sua loucura. Assim se aproximou do Brasil, da Argentina, da Bolívia e mais perigosamente da Rússia e Irã. Internamente colocou polícias secretas e tomou conta do Judiciário com indicações de pessoas ligadas às suas loucuras, tudo claro de maneira “democrática” através de seus plebiscitos.
Com o Brasil ele se ligou com o intuito de certa “proteção”, visto que o Brasil é considerado como pacífico. Com a Argentina se aproveitou do endividamento e como investidores internacionais estão longe de lá desde o calote, qualquer ajuda é bem vinda. Da Bolívia se aliou para ter um ponto estratégico de controle no centro da América, principalmente pelos poços de produção de gás. Da Rússia se uniu para conseguir armas e com o Irã... apenas para provocar os EUA.
Uma vez tendo feito essas ligações que para ele eram importantes, começou a dizimar os inimigos internos, todos “dentro da lei”, é claro. A imprensa independente acabou e os que sobraram não se arriscam muito a contrariar Chavez, pois ele tem a “maioria”. O próximo passo é a lavagem cerebral dessa “maioria”. E assim, seu programa de televisão, chato, monótono e arcaico só serve como aulas de um professor despreparado e apenas para convencer a população sem instrução de que ele está recuperando a Venezuela.
Muitos comparam Hugo Chavez a outro ditador: Hitler. Diversos sites de internet proclamam que ele é o novo Hitler, que ele é uma ameaça a população mundial, que ele faz parte do eixo do mal, etc. Nada disso. Hugo Chavez está mais para Saddan Hussein, ou “papa doc” haitiano do que Hitler. Nos tempos de Hitler a Alemanha realmente triunfava em sua economia graças a enorme ajuda pós-guerra que recebeu dos aliados da primeira guerra. Berlin triunfava em cultura, economia e lazer. As universidades prosperavam constando de excelentes professores ganhadores inclusive do prêmio Nobel. Então comparar Hugo Chavez à Hitler não tem sentido.
Mas podemos sim, comparar essa Venezuela devastada ao Brasil da era Collor. Sim, já vimos esse filme aqui. A Venezuela passa por quase hiper-inflação. A mídia é controlada. Os bancos são controlados. Os comerciantes não podem subir o preço das mercadorias com maxidesvalorização da moeda, pois caso contrário o estabelecimento passará aos “pobres que precisam de emprego e apóiam a revolução”. E os dados... bem, não existem dados confiáveis.
O PIB da Venezuela, mesmo com o petróleo e com a rápida recuperação no ano passado ficou em -2,9%. Mas se olharmos o histórico no gráfico ao lado, percebe-se que na verdade ele vem caindo há muito tempo. E sua recuperação tão enaltecida por Chavez nada mais foi do que as variações do preço do petróleo, como no segundo gráfico ao lado. A correlação entre PIB venezuelano e preços internacionais do petróleo é muito alta. Se Hugo Chavez diz que não precisa dos EUA, que os EUA são o mal do mundo, por que continua vendendo petróleo aos americanos? Porque ele não é burro, ele é “fanfarrão”. Precisa das bravatas para convencer a população que sua revolução tem efeito positivo.
E na economia mundial? Que efeitos podem as besteiras de Chavez trazer? Até a virada desse ano, nada deve acontecer relacionando Venezuela e economia mundial. Tendo o Brasil como “aliado” e em especial, sendo amigo íntimo do presidente Lula, Hugo Chavez se controla. O problema está em 2011 com nosso próximo governo nacional. Se as relações se alterarem entre Brasil e Venezuela, certa instabilidade poderá atingir a América latina, visto que na Colômbia já existem bases americanas. Instabilidade em país que tem petróleo e é membro da Opep causa instabilidade nos preços podendo disparar e arruinar ainda mais a economia mundial já arruinada pela crise.
Olhar para o “rato que ruge” não é menosprezar seu tamanho, é colocar um felino para tomar conta da situação ou encher a casa de ratoeiras. Isso evita a proliferação de doenças (principalmente na economia mundial).



Sábado, 26 de Janeiro, 2010