
Quarta-feira,11 de Março, 2011
Super tremor no Japão vai abalar a economia mundial Fonte: The New York Times
No dia de ontem (10-Mar-2011) a economia mundial já havia sentido um tremor financeiro com a notícia de que a China parou. Sua balança comercial depois de décadas apresentou déficit e a dos EUA também (ver bloomberg). A inflação anual chinesa já atinge 4,9% e só nesse ano, nos primeiros dois meses atinge o recorde de 14%. Em relação a 2008 a inflação chinesa é de 7,2%. Para um país motor do mundo de compras é mais do que alto. Todos os economistas gostariam que a economia chinesa desse uma pausa, mas a parada foi brusca demais. As bolsas caíram mais de 1,5% na maioria dos países. E então hoje a terra tremeu de verdade no japão e o pior foi o tsuname que vai percorrer o mundo. A onda física caminha pelo pacífico a velocidade alguns km/h. Mas a onda financeira é muito mais rápida, na velocidade do chip e instantânea. A moeda japonesa foi a primeira a sentir o tremor, conforme gráfico a seguir.
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Em poucos segundos caiu 1,2% assim que a notícia bateu no Ocidente. O mundo da alta frequência começa a mostrar seu poder de tragédia. No último tremor de terra forte no próprio japão, na cidade de Kobe, a economia absorveu o abalo e alguns dias depois começu a refletir. Na era do robô-trader, a decisão de venda já está pré-programada e o mundo tem que correr atrás do prejuízo ou do lucro. Sim porque mesmo na crise sempre tem alguns que vão ganhar muito. Mas a ilusão vai durar pouco, pois depois de alguns dias todos perdem, mesmo quem faz negócio de alta frequência. O mais interessante é que esses mesmos que ganham e depois perdem, vão até o governo de chapéu na mão dizer que ocorrou um "abalo" em suas economias e ameaçam com desempregos em massa. E os governos aceitam pacificamente injetando dinheiro público para quem no setor privado brinca de ser sério. Mas agora no Japão a história é mais complicada. A região atingida é produtiva e com portos e aeroportos para exportação de alta teconologia japonesa. Não é uma região isolada ou pobre como o tsunami do Siri Lanka. A economia japonesa que estava conformada em perder seu posto de segunda economia mundial agora terá um alto preço a ser pago para arrumar os estragos de vidas e casas. As usinas nucleares foram atingidas, em pequeno grau é verdade, mas devem ficar alguns dias funcionando à meia carga. Significa que a produção de equipamentos de exportação deve parar e a economia do Japão vai sentir. Quanto as bolsas o tremor será maior. Ao longo dos dias as notícias e reflexões devem levar a perdas ainda mais severas nas bolsas, principalmente nas bolsas asiáticas que já vinham caindo. Para corroborar isso, basta observar a figura a seguir.
O gráfico se refere ao maior índice do mercado financeiro japonês, o Nikei, no ano de 1995 quando ocorreu o tremor em Kobe. A região de Kobe era densamente povoada e não tão preparada para o tremor da magnitude que a atingiu. O pós terremoto mostrou que mesmo em países preparados para a tragédia, um evento abrupto não é absorvido de imediato. Na época a economia japonesa era ainda muito maior e importante do que nos dias atuais. O valor do Nikei era 70% maior do que os atuais 10.000 pontos que estão "travados" desde a crise financeira de 2008. De quanto foi a queda do Nikei em 6 meses no ano de 1995? Mais de 26% de queda, fazendo a economia do país sentir e muito o peso da reconstrução naquela época. Então o que se deve esperar para depois desse terremoto? Abalos em todas as bolsas mundiais. O segundo índice do mercado financeiro do japão, o Topix, que é totalmente computadorizado para a festa dos rôbos traders, caiu quase 2% em questão de segundos (figura a seguir). Foi como se o tremor fosse dentro dos computadores do Topix e não deu tempo de pensar o que estava acontecendo para quem estava perdendo dinheiro. O raciocínio de 1 minuto deve ter levado muita corretora e banco de investimentos a perderem milhões de dólares para reverter posições.
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Uma reversão de posição, por mais rápido que o trader ou programador seja sempre corre risco de não encontrar na outra ponta alguém disposto a pagar para entrar. E então os preços automaticamente desabam (automaticamente mesmo, pois já estão programados no algoritmo). O primeiro ministro Naoto Kan do japão mobilizou todas as forças de segurança para ajudarem as vítimas e evitar um caos social na região conforme a bloomberg. Quem levou as bolsas do japão a cair? As empresas que mais vão perder já agora nos primeiros instantes do terremoto, ou seja, as empresas de seguro! A Munich Re e Swiss Reinsurance CO. foram as que no mesmo instante do terremoto mais perderam nas bolsas mundias. E não vão parar de cair. Como o mundo dá voltas e cada vez mais rápido. Ontem (10-Mar-2011) a empresa Munich Re se vanglorificava de um lucro de 3,3 bilhões de dólares apesar dos custos no terremoto da Nova Zelandia. Vai ter que abir o caixa e deixar de aparecer na imprensa por um bom tempo. Não é um bom tempo de bolsa, não é um bom tempo de finanças. Conforme estamos afirmando há um bom tempo, para quem nos acompanha, devem ter percebido que as súbitas altas são fabricadas por relatórios. A crise de 2008 não terminou e o FED será o responsável pela próxima perna da crise. A dívida americana bateu o recorde em Fevereiro e vai bater mais recordes pois, o FED está deixando o mercado cada vez mais "líquido" o que significa mais volátil(vídeo). Melhor segurar nossas paredes, pois não existe lugar sólido no mundo. O Japão que o diga.
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